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Morar em BSB · guia 61 Imóveis

Águas Claras

A cidade vertical que nasceu em volta do metrô.

Águas Claras foi desenhada no começo dos anos 1990 em torno do metrô, como um bairro de ruas, com comércio no térreo e prédios de até 12 andares. Saiu diferente: torres de até 36 andares, condomínios fechados com lazer dentro e a maior densidade do DF. Aqui estão a história, as promessas e obras, quem mora, as escolas, o comércio, as árvores, as aves e as curiosidades do bairro.

Moradores
141.872
PDAD-A 2024 (IPEDF)
Moradores por km²
14.074
a maior densidade do DF · Censo 2022
Andares
12 → 36
previstos no plano × prédio mais alto
Estações de metrô
4
Codeplan
Escola particular
70%
dos moradores de 4 a 24 anos · PDAD 2021
01

História: a cidade que nasceu com o metrô.

Onde hoje estão as torres havia chácaras, a antiga Colônia Agrícola Águas Claras. Em 1991, o GDF contratou o escritório de Paulo Zimbres e Luiz Antônio Reis para desenhar um bairro ao longo da linha do metrô. O memorial resume a ideia: "o bairro se desenvolve basicamente ao longo das linhas do Metrô". O plano previa quarteirões com comércio no térreo, praças em cada quadra e prédios de até 12 andares. A cidade que saiu é outra: torres altas, sem pilotis, com o lazer dentro do condomínio.

1977

O PEOT, plano de ocupação do território do DF, marca a área entre o Plano Piloto, o Guará e Taguatinga para ocupação de baixa densidade, com comércio e serviços.

1991

O GDF planeja desapropriar 134 chácaras e contrata Zimbres e Reis. O Plano de Ocupação é aprovado em novembro.

1992

Começam as obras do metrô, em janeiro. Em 16 de dezembro, a Lei 385 autoriza o bairro Águas Claras, ainda dentro de Taguatinga. Metade dos lotes vai para empresas e metade para cooperativas habitacionais.

1995

Sobem os primeiros prédios.

1998

O Plano Diretor Local de Taguatinga (Lei Complementar 90) passa a valer para Águas Claras, tira o limite de andares e aumenta o quanto se pode construir em cada lote.

2000

A Lei Complementar 287 cria o Parque Ecológico de Águas Claras.

2001

A Estação Águas Claras abre em março. Em setembro, o metrô começa a operar, sete anos depois da data marcada no início da obra.

2003

A Lei 3.153, de 6 de maio, cria a Região Administrativa XX, Águas Claras.

2009

Quatro viadutos sobre o metrô colocam as avenidas em mão única, como o plano previa. O Residencial Sagitarius, de 36 andares, fica pronto e vira o prédio mais alto do DF.

2019

A Lei 6.391, de 30 de setembro, cria a Região Administrativa de Arniqueira, e Águas Claras fica, na prática, com a área vertical.

2023

Em 5 de agosto, são inaugurados a terceira saída para a EPTG e o Parque Sul.

2024–2026

A Justiça manda preservar 54 lotes para equipamentos públicos (2024). O GDF anuncia duas escolas (2024), contrata uma creche (setembro de 2026) e prevê a UPA para novembro de 2026.

Fontes: Pereira e Cruz, "Da crítica à superquadra ao quarteirão murado" (Pós FAUUSP, 2021); Balbino, monografia UnB (2009); Codeplan, Estudo Urbano Ambiental Águas Claras; Folha de Águas Claras (13/05/2025); Metrópoles (06/05/2023; 23/01/2024; 09/09/2026); Correio Braziliense (05/08/2023; 28/05/2024; 21/07/2026); Wikipédia (metrô e viadutos); Administração Regional de Arniqueira, Relatório de Gestão 2024.

"uma cidade viva e não mais uma cidade dormitório"Paulo Zimbres, sobre o plano de Águas Claras, citado por Balbino (UnB, 2009)

O prédio de Águas Claras × o prédio do Plano Piloto

Zimbres criticava a ocupação espalhada do Plano Piloto e se inspirou em Edimburgo, Nova York e Milão. Mesmo assim, chamou suas quadras de "superquadras". O que se construiu é um modelo próprio.

Plano PilotoÁguas Claras
Altura6 andares sobre pilotis (3 nas quadras 400)De 12 andares no plano a 36 no prédio mais alto
ChãoPilotis livre e públicoTérreo cercado, de uso do condomínio; garagens acima do solo
LoteProjeção: o prédio "no ar"; o resto é área públicaLote murado, com o prédio e o lazer dentro
LazerNa quadra: parquinho, cinturão verde, escolaNo condomínio: piscina, academia, salão, quadra, playground
ComércioComércio local entre as quadrasNas avenidas e no térreo de prédios mistos; as galerias previstas em geral não saíram
EscolaEscola classe dentro da quadraNenhuma escola pública de fundamental ou médio na área vertical (2024)

Fontes: Pereira e Cruz, Pós FAUUSP (2021); Balbino, UnB (2009); Correio Braziliense (28/05/2024); para o Plano Piloto, Ferreira e Gorovitz, A Invenção da Superquadra (Iphan, 2008).

Como o plano mudou

O que o projeto de 1991–1992 previa e o que foi construído.

ItemPlano (1991–1992)O que aconteceu
AlturaAté 12 andares (15 na Área Central, perto da estação)A Lei Complementar 90, de 1998, tirou o limite de andares e aumentou o coeficiente de aproveitamento dos lotes residenciais de 1,5 para 2,5. Hoje há torres de 30 a 36 andares. Pela regra atual (LUOS, 2019), a maior altura listada para os lotes do bairro é de 78,5 m, com coeficiente máximo de 7 (Seduh, Anexo III, Quadro 1A).
TérreoGalerias comerciais e uso misto, com a rua como bulevarAs construtoras, em geral, não fizeram as galerias. O térreo virou área cercada do condomínio.
Garagens—Os três primeiros andares de garagem não contavam no índice de construção e foram feitos acima do solo. Resultado: paredões cegos de cerca de 12 m nas avenidas.
QuadraOcupação de até 20% do lote, pilotis e 55% de área coletiva, com uma praça arborizada por quadraMuros e grades em volta de cada lote, que a lei não contava na taxa de ocupação.
LazerPraças públicas por quadra e parquesPiscina, parquinho, academia, salão de festas e quadra dentro de cada condomínio.
População160 mil moradores na capacidade total120.107 em 2021 e 141.872 em 2024, só na área vertical (PDAD).
CarrosUm carro por famíliaMuitas vezes, um carro por morador, com o mesmo sistema viário (urbanista Artur Morais, 2024).
InfraestruturaÁrea Central com escritórios, hotéis, escolas, cinemas e teatros; dois campi universitários; hospitaisEm 2009, segundo Zimbres, só cerca de 15% da infraestrutura planejada tinha sido instalada.

Fontes: Pereira e Cruz, Pós FAUUSP (2021); Balbino, UnB (2009); Seduh, LUOS (LC 948/2019), Anexo III; PDAD 2021 e PDAD-A 2024 (IPEDF); Correio Braziliense (13/11/2024).

02

Promessas e obras: o que foi prometido e o que saiu.

O plano de Paulo Zimbres (1991–1992) previa, além das quadras, uma Área Central com escolas, cinemas e teatros, dois campi universitários, hospitais, um parque de cerca de 680 mil m² e outros três parques: o Central, o Sul e o Linear. A Lei Complementar 90, de 1998, mudou a destinação de lotes e liberou a altura dos prédios. Em 2008, com quase 400 prédios prontos, a cidade ainda não tinha escola pública nem posto de saúde. Em 2021 havia 25 lotes destinados à educação sem escola construída. A tabela abaixo reúne cada promessa, quem prometeu e o que se sabe até novembro de 2026.

PromessaQuem/quandoSituação
Hospital públicoPlano original (1991–1992), que previa "hospitais"Não cumprida Não há hospital público no bairro. Os mais perto ficam em Taguatinga e no Guará. Em outubro de 2010, a Secretaria de Saúde devolveu à Terracap o lote da Av. das Araucárias reservado para hospital e optou por uma UPA.
Parque Ecológico de Águas ClarasGDF; criado pela Lei Complementar 287, de 2000Funciona A lei foi declarada inconstitucional em 2010. Em 2017, o Ibram fez estudo para recriar o parque e o TJDFT mandou cercá-lo. Em 2018, um decreto juntou ao parque 310 mil m² da Residência Oficial. Em 2024, a imprensa citou uma área de cerca de 113 hectares (Jornal de Brasília, 11/07/2024). O ato de criação em vigor não foi conferido nesta edição.
Parque SulPlano original; liminar do TJDFT (junho de 2015, ação do MPDFT) deu um ano ao Ibram para implantá-loEntregue Inaugurado em 05/08/2023: 30 mil m², R$ 8,7 milhões, com a única pista de patinação de velocidade do DF.
Parque CentralPlano original; mesma liminar de 2015. A Terracap disse ter ordem de serviço em 2021Sem notícia de entrega até nov/2026
Parque LinearPlano original; a liminar de 2015 proibiu vender lotes na áreaSem notícia de implantação até nov/2026
Escola Classe (Quadra 101) e Centro Educacional (Quadra 102)Secretaria de Educação, maio de 2024: licitação em 2024, 16 meses de obra, alunos em 2026; cerca de R$ 31 milhões. Projetos: 20 salas e 5.098 m² (Escola Classe); 18 salas e 3.914 m² (Quadra 102)Sem notícia de entrega até nov/2026 Em maio de 2024, as peças da licitação ainda estavam sendo preparadas. Não achamos notícia confirmada do andamento das obras em 2025–2026.
Creche (Cepi da Quadra 104, Praça Tiziu)Secretaria de Educação, contrato de 04/09/2026 com a Pro-Hab Construções: R$ 5,14 milhões, 14 salasContratada Vigência do contrato: 915 dias.
UPA (Av. das Araucárias, lote 2.075, ao lado do Águas Claras Shopping)IgesDF lançou o edital em 2025, com entrega prevista para o 1º semestre de 2026; obra de R$ 17,0 milhões. Vistoria da governadora Celina Leão em 21/07/2026Em obra Em julho de 2026, estrutura e lajes prontas e divisão interna em curso. Entrega adiada para novembro de 2026; sem registro de inauguração até 1º/11/2026. Na vistoria de jul/2026, a governadora falou em cerca de 2.500 m² e 60 leitos. O IgesDF divulga o padrão das novas UPAs, de 2.632 m² e 65 leitos (33 adultos e 32 pediátricos).
UBS (Rua 25 Sul, lote 28)Novacap preparava a licitação em 2023; o governador Ibaneis Rocha prometeu de novo em 05/08/2023Sem notícia de entrega até nov/2026 Em junho de 2025, o projeto técnico estava pronto, mas a licitação dependia de liberação de recursos.
Lotes para escola, saúde e segurançaAção do MPDFT; liminar do TJDFT de janeiro de 2024 manda preservar 54 lotes (34 do GDF e 20 vendidos sem obra) e pede indenização por outros 31 já construídosNa Justiça A Terracap disse que ia recorrer. Sem notícia do desfecho até nov/2026.
Avenidas em mão única (viadutos sobre o metrô)Plano original (1991–1992)Entregue Quatro viadutos em 24/01/2009. Os da Rua Manacá e da Rua Alecrim, projetados em 2003, saíram em 21/04/2016, por R$ 6,95 milhões.
MetrôObras desde 07/01/1992, com inauguração marcada para 21/04/1994Entregue A Estação Águas Claras abriu em 31/03/2001, e a operação comercial começou em 24/09/2001.
Terceira saída para a EPTGPedido antigo dos moradoresEntregue Inaugurada em 05/08/2023 (Rua das Carnaúbas–EPTG, R$ 14 milhões). Uma faixa nova estava em obra em 2024.
Ciclovia da EPTGProjeto inicial da viaEm parte Entregue em parte em 2019.
EsgotoCaesb: cerca de R$ 50 milhões para Arniqueira, Park Way e Colônia Agrícola (2024)Em obra Obra no coletor da Avenida das Araucárias em setembro de 2026.
Ônibus de bairro ("Zebrinha")Semob, início de 2024: 3 micro-ônibus e 38 viagens por diaEntregue Em operação; em 2024 a linha passou a ir até o Taguatinga Shopping.
Avenida das Cidades (ex-Interbairros)Prevista desde o PDOT de 1997; plano atual de 26 km, R$ 2,9 bilhões, em parceria público-privadaSem data de obra Em análise no Tribunal de Contas do DF em 2024.
Dois viadutos, um segundo parque e novos trensCelina Leão (PP), em campanha, outubro de 2026Sem projeto público até nov/2026 Promessa de campanha.

Fontes: Balbino, UnB (2009); Pereira e Cruz, Pós FAUUSP (2021); Jornal de Brasília (17/08/2008; 12/2018; 22/09/2021; 11/07/2024; 17/09/2024); Ibram, Estudo Técnico Preliminar (2017); TJDFT (02/05/2017); IRIB/TJDFT (06/2015); Correio Braziliense (28/05/2024), Correio da Manhã (24/05/2024); Metrópoles (09/09/2026); Correio Braziliense (21/07/2026); Metrópoles (06/05/2023; 21/06/2021; 23/01/2024; 21/04/2016); Correio Braziliense (05/08/2023; 13/11/2024); Wikipédia (metrô, ciclovia); Sou Brasília (15/09/2026); Jornal de Brasília (03/12/2018); F5 Política, material de campanha (15/10/2026); Folha de Águas Claras (20/06/2025); Agência Brasília (21/07/2026, atualizada em 26/10/2026); Expressão Brasiliense (23/05/2024); Sou Brasília (07/05/2026, padrão das novas UPAs, com dados da Agência Brasília e do IgesDF); Jornal de Brasília (19/10/2010). "Sem notícia" quer dizer que não achamos registro público da entrega até 1º/11/2026.

03

Quem mora: gente jovem, que chegou há pouco.

Águas Claras tem cerca de 120 mil moradores na PDAD 2021 e quase 142 mil na edição de 2024. É gente mais jovem que a média do DF, com muito estudo, e que chegou há pouco: em média, mora na região administrativa há menos de dez anos. Quase todos vivem em apartamento.

Moradores
120.107

em 2021. Eram 141.872 na PDAD-A 2024. O plano original previa 160 mil.

Idade média
31,6

anos. No DF, 34,0 (PDAD 2021).

Tempo médio de moradia na RA
9,6

anos, em média. No Distrito Federal, os moradores de Águas Claras estão há 21,8 anos.

Renda domiciliar
R$ 14,1 mil

média mensal em 2021. No DF, R$ 6,9 mil.

Águas Claras ao lado dos vizinhos

Escolha um indicador. Fonte: PDAD 2021 (IPEDF/Codeplan), relatório de cada localidade ou região administrativa.

Retrato do dia a dia

Superior completo (25+)78,4%
Plano de saúde82,9%
Vão de carro ao trabalho80,5%
Vão de metrô ao trabalho13,7%
Trabalham no Plano Piloto42,3%
Mulheres52,5%
Nascidos no DF50,4%
Desocupação4,0%

PDAD 2021, Região Administrativa de Águas Claras. Ida ao trabalho: uma pessoa pode usar mais de um meio.

Cidade de apartamento. 98,5% dos domicílios são apartamentos, 81,8% têm carro e 49% têm animal de estimação (PDAD-A 2024).

Trânsito no caminho. Em 2021, o tempo mais citado até o trabalho era de 15 a 30 minutos (37,5%). Metade dos moradores nasceu fora do DF; Minas Gerais é a principal origem: 17,4% de quem informou o estado de nascimento.

Fontes: PDAD 2021 Águas Claras (IPEDF/Codeplan; 1.808 domicílios, coleta de maio a dezembro de 2021) e apresentação regional (renda); PDAD-A 2024 Águas Claras (IPEDF; 402 domicílios, coleta de nov/2023 a out/2024). Recorte: a Região Administrativa XX inteira, que desde 2019 é praticamente só a área vertical. A amostra de 2024 é bem menor que a de 2021, por isso usamos a de 2021 como fonte principal.

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Este guia fala de morar. O Pulso 61 mostra os imóveis à venda em Águas Claras, com números atualizados.

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04

Trânsito, na hora de sair de casa.

Ainda não lemos o trânsito em Águas Claras. A leitura do bairro entra na próxima rodada, com o mesmo método da Asa Sul: o trânsito de cada trecho de rua, hora a hora, num dia útil típico.

Em levantamento Esta seção será publicada com o mapa do bairro.

05

Escolas: muita particular, pouca pública.

Na área vertical de Águas Claras não há escola pública de ensino fundamental ou médio. A única creche pública é o Cepi Jequitibá, aberto em 2015, e os alunos da rede pública estudam no Guará ou em Taguatinga. Por isso, sete em cada dez estudantes do bairro estão em escola particular, e três delas aparecem entre as 20 melhores notas do ENEM no DF.

ENEM 2025

3 das 20 melhores notas do DF têm unidade em Águas Claras

Pos. DFEscola (unidade Águas Claras)Média
3ºColégio Olimpo716,1
11ºSigma678,9
16ºColégio Fleming664,7

Média simples da redação e das quatro provas objetivas, só escolas com 10 ou mais participantes. O 16º lugar aparece só na lista do Jornal de Brasília; a do Correio vai até o 15º. Também tem unidade no bairro o Colégio Marista Águas Claras, sem nota do ENEM conferida.

Fontes: Jornal de Brasília, 23/06/2026 e Correio Braziliense, 23/06/2026, com dados do Inep; documento institucional Marista (2024).

Rede pública

Lote de escola há, escola não

Lotes para educação
sem escola pública construída, 2021
25
Escolas de fundamental e médio
públicas, na área vertical, 2024
0

Em 2021, moradores escreveram num muro de obra: "aqui jaz uma escola". O lote 2 da Quadra 104, que a associação de moradores diz ter sido de escola, foi vendido pela Terracap a um empreendimento privado.

O que foi prometido

Em maio de 2024, a Secretaria de Educação anunciou uma Escola Classe na Quadra 101 (20 salas, da educação infantil ao 5º ano) e um Centro Educacional na Quadra 102 (18 salas, do 6º ano ao ensino médio), com alunos previstos para 2026. Até maio de 2024 a licitação não tinha sido lançada, e não achamos notícia confirmada do andamento das obras até novembro de 2026. Em setembro de 2026, foi contratada uma creche na Quadra 104. Veja todas as promessas ↑

Fontes: Correio Braziliense, 28/05/2024; Metrópoles, 21/06/2021; Metrópoles, 09/09/2026.

70%

dos moradores de 4 a 24 anos estudam em escola particular (PDAD 2021).

61%

estudam dentro da própria Região Administrativa, e 61% levam até 15 minutos até a escola.

Faculdades

No bairro e na divisa: a Faculdade Processus, na Av. das Araucárias, e uma unidade do UniCEUB na divisa com Taguatinga, perto das Ruas 210/212. A lista completa, incluindo polos de ensino a distância, ainda não foi levantada. O plano original previa dois campi universitários.

Fontes: PDAD 2021 Águas Claras (IPEDF/Codeplan); nos tempos de deslocamento, como no texto da PDAD, quem não soube responder fica fora da conta; projeto pedagógico da Faculdade Processus; Sou Brasília (15/09/2026); Balbino, UnB (2009). A lista completa de escolas particulares e creches privadas do bairro ainda não foi levantada.

06

Comércio: a vida nas avenidas.

O comércio de Águas Claras fica nas avenidas Araucárias, Castanheiras e Parque Águas Claras, no térreo dos prédios mistos, perto das estações e nos shoppings. Uma moradora ouvida pelo Correio Braziliense em 2026 resume: acha "tudo" perto de casa, mas sente falta de verde e pega trânsito dentro do bairro até no sábado.

Ruas e shoppings

As galerias que não saíram

Zimbres previa galerias comerciais contínuas no térreo dos prédios. Em geral, elas não foram feitas, e o comércio se concentrou nas avenidas, nos prédios mistos e em pontos como a Feira de Águas Claras, o Águas Claras Shopping e as áreas comerciais da ADE. A imprensa descreve muitas franquias, lojas e serviços; em 2026 eram cerca de 23 pet shops, além de hotéis e creches para cães.

Saúde

Hospital só particular

Não há hospital público no bairro; os mais perto ficam em Taguatinga e no Guará. A UPA está em obra, com entrega prevista para novembro de 2026, e a UBS prometida não teve inauguração registrada. Na rede privada, o Hospital Águas Claras, da Rede Ímpar (Rua Araribá, a cerca de 600 m do metrô), foi anunciado em 2019 com 267 leitos, 70 deles de UTI. Em 2021, 82,9% dos moradores tinham plano de saúde.

Parques e praças

Verde em volta das torres

O Parque Ecológico de Águas Claras é o grande espaço livre do bairro, com cerca de 60 mil visitantes por mês e funcionamento das 6h às 22h. O Parque Sul abriu em 2023, com a única pista de patinação de velocidade do DF. A Administração conta 37 praças, 17 delas com parcão.

Serviços do bairro

MetrôQuatro estações: Estrada Parque, Concessionárias, Águas Claras e Arniqueiras. As linhas Laranja e Verde se separam a oeste da Estação Águas Claras.
Ônibus de bairroO "Zebrinha", desde 2024: 3 micro-ônibus, 38 viagens por dia, com linha até o Taguatinga Shopping.
Segurança17º Batalhão da PM e postos comunitários. A 21ª Delegacia fica no Areal.
Esgoto99,69% dos domicílios da área vertical ligados à rede (PDAD 2016).
CicloviaA ciclovia da EPTG, prevista no projeto inicial, foi entregue em parte em 2019.

Como é o dia a dia

Quem chegou primeiro. A loja de variedades de Dona Bety, na Av. das Castanheiras, está aberta desde 2001. O dono de uma banca conta que havia cerca de 20 prédios quando chegou (Correio Braziliense, 2026).

Trânsito. Cerca de 56 mil veículos circulam por dia no bairro (Detran-DF, via Correio Braziliense, 2024). Moradores chegaram a pendurar numa das entradas uma faixa aconselhando a não se mudar para a cidade.

Chuva forte. Em abril de 2019, enxurradas invadiram condomínios da área vertical. Um estudo de 2025 põe Águas Claras entre as sete regiões do DF com densidade "muito alta" de registros de alagamento.

Não encontramos contagem publicada de empresas ativas só em Águas Claras. Por isso esta seção fica sem esse número.

Fontes: Pereira e Cruz, Pós FAUUSP (2021); Codeplan, Estudo Urbano Ambiental Águas Claras; Correio Braziliense (13/11/2024; 06/05/2026; 03/07/2026; 21/07/2026); Metrópoles, 11/07/2019; Metrópoles (06/05/2023; 04/2019); Jornal de Brasília (05/05/2023; 17/09/2024; 10/09/2026); PDAD 2016 e 2021 (Codeplan); Wikipédia (metrô, ciclovia, segurança).

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07

Árvores: uma cidade com nome de árvore.

Em Águas Claras, as avenidas, ruas e praças levam nomes de espécies: Araucárias, Castanheiras, Jacarandá, Jequitibá, Sibipiruna, Ipê Amarelo, Figueiras, Manacá. O cerrado de verdade está no Parque Ecológico, com ipês, copaíbas, embiruçus e buritis. Ali também ficaram os restos das antigas chácaras: maciços de mangueiras e eucaliptos.

4

paisagens do cerrado no Parque Ecológico: mata de galeria, cerrado típico, campo limpo e campo sujo (Ibram, 2017).

1.000

mudas do cerrado plantadas no parque em dezembro de 2023. O Instituto Voluntários do Parque produz e doa milhares de mudas por ano.

237

árvores novas anunciadas pela Terracap em 2021 no Parque Sul, uma área quase toda de mangueiras, onde 52 foram removidas.

O que floresce em cada mês

Na régua de cada árvore, a cor marca a florada; o verde, a época da fruta. Os meses de florada da copaíba, do embiruçu e do buriti ainda não foram conferidos para o bairro. Os nomes das ruas são do paisagismo; não verificamos se cada espécie está plantada na rua que leva seu nome.

Frutíferas: o pomar de graça.

O DF tem cerca de 1 milhão de árvores frutíferas em área pública, de 35 espécies, segundo a Novacap (2025). A colheita é livre, e a Novacap diz não usar agrotóxico nas árvores de área pública. De outubro a janeiro é a melhor época: manga, pequi, cagaita, mangaba e jabuticaba se revezam, cada uma na sua janela.

Em Águas Claras: há manga, jaca, jambo e amora no bairro, e as mangueiras das antigas chácaras ainda formam maciços no Parque Ecológico (Congresso em Foco, 2016; Correio Braziliense, 10/11/2025; Ibram, 2017).

A Novacap não mantém mapa das frutíferas: disse em 2022 que elas não fazem parte do Plano de Arborização. O app colaborativo Fruit Map, criado por universitários de Brasília, deixa os moradores marcarem os pés. Cuidados: nada de vara de metal perto da rede elétrica, não subir na árvore, lavar bem a fruta. Para plantar uma frutífera na área pública, a Novacap pede vistoria antes (Ouvidoria 162). Fontes: Novacap e Agência Brasília via Jornal de Brasília (11/11/2023, 18/11/2024) e Correio Braziliense (12/11/2022, 12/11/2024, 10/11/2025); calendário das nativas: WWF-Brasil (catálogo da sociobiodiversidade do Cerrado) e Embrapa Cerrados; Decretos distritais 14.783/1993 e 48.847/2026.

Fontes: Ibram, Estudo Técnico Preliminar do Parque Ecológico de Águas Claras (2017); Jornal de Brasília, 11/12/2023; Correio Braziliense, 28/09/2021; Correio Braziliense (03/05/2026); Wikipédia (nomes das ruas); calendário dos ipês e da manga: o mesmo da página da Asa Sul (Jornal de Brasília; Novacap).

08

Aves: o parque no meio das torres.

No Parque Ecológico nasce o Córrego Águas Claras, que dá nome à cidade e corre para o Lago Paranoá. Há lagoas naturais, mata ciliar e pontos onde a água do subsolo aflora. Um levantamento registrou 119 espécies de aves de 38 famílias no parque. O Ibram indica a margem da lagoa como bom ponto para ver aves aquáticas.

119

espécies de aves, de 38 famílias, registradas no Parque Ecológico (Castro, 2011, citado pelo Ibram).

Capivaras

Vivem em bandos com filhotes nas lagoas do parque. Em 2022, o Ibram pediu aos frequentadores cães na guia e distância dos bandos.

Saguis

Também foram registrados no parque. A mata ciliar liga o parque aos córregos Vicente Pires e Riacho Fundo e serve de corredor para os bichos.

Cuidados. O Ibram aponta como pressões sobre a fauna as pessoas que alimentam bichos silvestres, cães e gatos soltos e portões de condomínios abertos direto para o parque. A lista completa das 119 espécies não está disponível em fonte pública que achamos.

Fontes: Ibram, Estudo Técnico Preliminar (2017), que cita Castro (2011); Metrópoles, 20/05/2022; TJDFT (02/05/2017); Ibram e Observaves, calendário "Vamos passarinhar nos Parques do DF" (2016). A lista de Castro (2011) não está publicada no estudo do Ibram; o WikiAves agrupa os registros por município (Brasília) e não separa o parque.

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Curiosidades para contar na próxima visita.

Rua com nome de árvore

Avenidas, ruas e praças levam nomes de espécies do paisagismo: Araucárias, Castanheiras, Jacarandá, Jequitibá, Sibipiruna, Ipê Amarelo, Manacá, Alecrim, Carnaúbas.

Praça com nome de ave

A Praça Tiziu fica na Quadra 104, onde vai ser construída a creche contratada em 2026. Há também uma Praça Tiê.

Mais alto que o Congresso

O Residencial Sagitarius tem 36 andares e cerca de 109 m. Quando ficou pronto, em 2009, era o prédio mais alto do DF.

"Dubai do Cerrado"

O apelido é de 2008, quando havia quase 400 prédios prontos, 120 em obra e cerca de 120 construtoras trabalhando na cidade ao mesmo tempo.

A cidade e o metrô nasceram juntos

O bairro foi desenhado ao longo da linha do metrô. Segundo José Roberto Arruda, que participou da criação, a primeira venda de lotes pagou cerca de metade da obra do metrô.

Superquadra só no nome

Paulo Zimbres criticava a superquadra e se inspirou em Edimburgo, Nova York e Milão. Mesmo assim, chamou suas quadras de "superquadras".

Por que a garagem fica no alto

Os três primeiros andares de garagem não contavam no índice de construção. Por isso foram feitos acima do solo, e as avenidas ganharam paredões cegos de cerca de 12 m.

Água que vai para o Paranoá

O córrego que dá nome à cidade nasce dentro do Parque Ecológico e corre, pelo Riacho Fundo, até o Lago Paranoá.

Patins em alta velocidade

O Parque Sul tem a única pista de patinação de velocidade do DF e, segundo o Correio Braziliense na inauguração (2023), a segunda do Brasil.

O bairro mais denso

São 14.074 moradores por km², a maior densidade do DF segundo o Censo 2022.

O parque que a Justiça segurou

A lei que criou o Parque Ecológico caiu em 2010. Em 2017, o TJDFT entendeu que o parque já fazia parte do patrimônio dos moradores e mandou o Ibram cercá-lo.

Energia do sol no parque

Desde 2024, o Parque Ecológico tem uma usina solar com 1.310 painéis.

Fontes: Wikipédia (nomes das ruas); Metrópoles (06/05/2023; 09/09/2026); Jornal de Brasília (17/08/2008; 16/11/2008; Praça Tiê; 17/09/2024); Folha de Águas Claras, 13/05/2025; Pereira e Cruz, Pós FAUUSP (2021); Ibram (2017); Correio Braziliense (05/08/2023; 03/05/2026, com dados do Censo 2022); TJDFT (02/05/2017).

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Comunidade: quem cuida do bairro.

Em Águas Claras não há prefeitura de quadra, como no Plano Piloto. A vida coletiva passa pelo síndico de cada condomínio e por associações de moradores que levam ao GDF as pautas do bairro: escola pública, posto de saúde, trânsito e o parque.

Amaac

Associação de Moradores e Amigos de Águas Claras. Em 2018 e 2021, cobrava escola pública e posto de saúde, era contra mais adensamento e reclamava do trânsito e das calçadas. Em 2018, organizou um abaixo-assinado por escolas públicas; a Secretaria de Educação tinha então 28 lotes para escola no bairro, sem previsão de obra (Jornal de Brasília, 2018). Denunciou a venda do lote de escola da Quadra 104 (Metrópoles, 2021).

Asmav

Associação dos Moradores de Águas Claras Vertical. Em 2013, entregou ao governador um abaixo-assinado com mais de 4 mil assinaturas pela ampliação do Parque Ecológico; a área pedida, da Residência Oficial, entrou no parque em 2018. Foi contra o Interbairros e as novas quadras 400 (Jornal de Brasília, 2013 e 2018).

Instituto Voluntários do Parque

Grupo criado depois de um incêndio no Parque Ecológico. Produz e doa milhares de mudas por ano para recuperar o parque (Correio Braziliense, 2026). Quatro grupos de escoteiros também ajudam a cuidar da vegetação nativa (Jornal de Brasília, 2024).

Segurança entre vizinhos

Uma rede de vizinhos, com grupos no Facebook e no WhatsApp, funciona com a participação de policiais do 17º Batalhão da PM (Correio Braziliense, 2018). Águas Claras tem Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), na lista oficial da Secretaria de Segurança Pública; as reuniões são mensais e abertas, com cronograma no site da secretaria. Na pesquisa distrital de 2021, 90,5% dos domicílios disseram haver policiamento militar regular perto de casa (PDAD 2021).

Vida de condomínio

Com quase todo mundo em apartamento, o condomínio é a primeira comunidade. A Polícia Civil registrou 82 casos de conflito entre síndicos e moradores em Águas Claras entre 2019 e outubro de 2024. A AssoSíndicos-DF, associação de síndicos de todo o DF, promove palestras sobre convivência (Metrópoles, 2024).

Fontes: Jornal de Brasília (03/12/2018; 21/09/2013; 16/11/2008; 11/07/2024); Metrópoles (21/06/2021; 24/11/2024); Correio Braziliense (03/05/2026); Correio Braziliense via Diário das Leis (26/02/2018); SSP-DF, Conselhos Comunitários de Segurança (consultado em 01/11/2026); PDAD 2021 Águas Claras (IPEDF/Codeplan), tabela A.83 (policiamento). Jornal de Brasília (20/05/2018). Não achamos registro público de atividade da Amaac e da Asmav em 2025–2026, nem site ou perfil oficial. Tem uma associação que deveria estar aqui? Fale com a 61.

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Fontes e como lemos os dados.

Cada bloco traz a fonte e o ano. Águas Claras aqui é a área vertical: Ruas e Avenidas Norte e Sul, Araucárias, Castanheiras, Parque Águas Claras e os Boulevards. Desde 2019, com a criação da Região Administrativa de Arniqueira, a RA de Águas Claras é praticamente só essa área. Quando um dado vale para a RA antiga, com Areal e Arniqueira, dizemos isso no texto.

  • História e concepção: Lucas Brasil Pereira e Luciana Saboia F. Cruz, "Da crítica à superquadra ao quarteirão murado: o caso de Águas Claras" (Pós FAUUSP, 2021); Flávio Martins Balbino, monografia de Geografia (UnB, 2009), que traz o memorial de Zimbres e Reis (1991); Codeplan, Estudo Urbano Ambiental Águas Claras; Seduh, LUOS (LC 948/2019); Folha de Águas Claras (2025); Metrópoles e Jornal de Brasília (aniversário de 20 anos, 2023).
  • Promessas e obras: Correio Braziliense, Metrópoles, Jornal de Brasília e Correio da Manhã, com data em cada linha da tabela; TJDFT e IRIB (decisões judiciais); Ibram (2017); Agência Brasília e Folha de Águas Claras (UPA e UBS, 2025–2026). "Sem notícia" quer dizer que não achamos registro público da entrega até 1º/11/2026, não que a obra esteja parada.
  • Moradores: PDAD 2021 Águas Claras (IPEDF/Codeplan), fonte principal; PDAD-A 2024 (IPEDF), com amostra menor, para a população e a moradia; IBGE, Censo 2022, via Correio Braziliense (densidade).
  • Escolas: ENEM 2025: rankings por escola do Jornal de Brasília e do Correio Braziliense (23/06/2026), feitos com microdados do Inep divulgados em 22/06/2026. Não há IDEB da área vertical, porque não há escola pública de fundamental nela.
  • Comércio e serviços: Codeplan; Pereira e Cruz (2021); Correio Braziliense (2024 e 2026); Metrópoles (2019 e 2023); Jornal de Brasília (2023 e 2024).
  • Árvores e aves: Ibram, Estudo Técnico Preliminar do Parque Ecológico (2017), que cita o levantamento de aves de Castro (2011); Jornal de Brasília e Correio Braziliense (plantios); Metrópoles (capivaras, 2022).
  • Comunidade: Jornal de Brasília, Metrópoles e Correio Braziliense, com data em cada bloco.
  • Segurança comunitária: SSP-DF, lista dos Consegs (consultada em 01/11/2026); PDAD 2021 Águas Claras (IPEDF/Codeplan), tabela A.83, policiamento militar regular perto do domicílio.
  • Trânsito: leitura em preparação, com o mesmo método da Asa Sul.
  • O que não está aqui: preço de imóveis, que fica de fora deste guia; contagem publicada de empresas por bairro, que não encontramos; a área exata do Parque Ecológico, porque as fontes divergem (de 86 a 113 hectares, conforme o ano e a poligonal usada, e o estudo do Ibram de 2017 deixa a área em branco); a lista completa de aves do parque e o andamento das escolas prometidas em 2025–2026, que ainda não achamos.